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Alcochete apoia tauromaquia a património cultural imaterial

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04 Outubro 2018

No âmbito das Jornadas Europeias do Património, o município de Alcochete promoveu no dia 30 de setembro, no núcleo de arte sacra, uma tertúlia/debate sobre “A Tauromaquia e a sua inventariação como Património Cultural Imaterial”.

O debate foi moderado pelo vereador da Cultura, Identidade Local e Turismo, Vasco Pinto, que revelou que o município está também a trabalhar para a classificação das Festas do Barrete Verde e das Salinas a Património Cultural Imaterial.

A tertúlia contou com as intervenções de Elísio Summavielle, presidente do Centro Cultural de Belém e ex-secretário de Estado, de Hélder Milheiro, da PróToiro, do cavaleiro tauromáquico José Samuel Lupi e do professor do Instituto Universitário de Lisboa, Luís Capucha, que está a liderar o projeto de elevação da tauromaquia a Património Cultural Imaterial da UNESCO.

“Lançado o repto pela Direção Geral do Património Cultural para assinalarmos as Jornadas Europeias da Cultura sobre o tema “Partilhar Memórias”, que é essencialmente falar do passado mas fazer com que a nossa identidade, o nosso passado perdure e que o possamos valorizar e nada melhor do que trazer este tema da tauromaquia para a defesa daquilo que é nosso e nos defendermos dos constantes ataques que temos sido alvo”, disse o vereador da Cultura, sublinhando que “a tauromaquia não é apenas a tauromaquia de praça e que há muitas expressões de tauromaquia em todo o País”.

O autarca referiu que Alcochete “não pode de forma alguma ficar sem defender aquilo que são as Festas do Barrete Verde e das Salinas (…) e vai trabalhar com as associações do concelho porque elas são parte integrante da identidade e da cultura local”.
À questão de que será a tauromaquia cultura, todos os oradores foram perentórios na afirmação de que se trata de uma atividade cultural e artística.

O sociólogo Luís Capucha afirmou que “do ponto de vista científico não há nenhuma dúvida” e que essa questão só surge “da pura ideologia de algumas pessoas que têm uma mentalidade totalitária e querem impor o seu modo de ver aos outros”.

O investigador fez uma retrospetiva da relação do homem com o toiro nas várias civilizações e culturas, referindo que há 50 mil anos que “o homem se enfrenta com aquele animal que elegeu como símbolo especial, que o põe à prova de uma maneira que outros animais não punham, que põe em risco a sua vida e que obrigava a enfrentá-lo com a sua destreza”, mas que, para além do passado, “a tauromaquia vale como cultura por aquilo que ela é hoje em si mesma”.

Para Luís Capucha, “a tauromaquia é cultura em si mesma porque constitui um sistema de comunicação, um sistema de referência, no qual se reconhecem comunidades vastíssimas que a têm como uma espécie de recurso simbólico, linguístico, de orientação, que tem a ver com maneiras de ser, de fazer, de falar e de estar no mundo, que são nossas”.

Luís Capucha apelou aos contributos de todos os envolvidos na tauromaquia em Alcochete para que enviem informações e imagens sobre todos os aspetos desta arte para a equipa que está a desenvolver a candidatura a património cultural imaterial com o seguinte endereço: tpatrimoniocp.cies@iscte-iul.pt

Também o presidente do Centro Cultural de Belém não tem dúvidas quanto à tauromaquia ser uma expressão cultural. “Toda a vida lidámos com a realidade taurina, com a diversidade taurina no nosso País (…) tranquilamente, sem grandes preocupações (…) mas nos últimos 10 anos, com a revolução que houve na comunicação, (…) fomos apanhados de surpresa por uma ofensiva global, a globalização coletiva de uma certa cultura e de uma civilização calvinista”, disse Elísio Summavielle, destacando que “é absolutamente necessário defender a diversidade cultural”.

Para o representante da PróToiro, Hélder Milheiro, a questão de saber se a tauromaquia é cultura é precisamente “o grande chavão anti-taurino mundial e serve exatamente para tentar de todas as maneiras influenciar as pessoas a cortar a raiz da ligação com a tauromaquia”, mas “o grande problema da tauromaquia para os anti – taurinos é que nós somos profundamente País, identidade, cultura, tudo o que é ser português”, disse.

Para Hélder Milheiro, a tauromaquia “não é uma mera opinião, é um facto social e cultural, é um facto legal que o Estado também reconhece e por isso a discussão tem que ser feita sempre a partir deste ponto”.

Perante uma assistência composta por numerosos forcados e aficionados, que o aplaudiram, José Samuel Lupi recordou o seu passado como cavaleiro tauromáquico, em que representou Portugal em países como Espanha, França, Bélgica e Venezuela na organização e participação em corridas de toiros à portuguesa. “Fui sempre chamado para a promoção da nossa cultura. Vejo, na parte prática, que não há maneira de separar a corrida de toiros da cultura portuguesa”, disse.

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