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Exóticas no Tejo

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O TERRITÓRIO DE ALCOCHETE E AS ESPÉCIES EXÓTICAS

O concelho Alcochete tem no seu território um dos mais ricos patrimónios naturais do país em ecossistemas e biodiversidade. Com a ponte Vasco da Gama, inaugurada em 1998, verificou-se uma alteração de paradigma, do nosso relacionamento com a AML, transformando Alcochete numa “Porta de Entrada em Lisboa”.

Apesar desta profunda alteração, Alcochete soube preservar a sua sustentabilidade, com uma baixa densidade de ocupação e acima de tudo valorizando a sua identidade cultural e o seu património natural, que representa cerca de 90% do território, incluindo a ZPE e o território abrangido pela Diretiva Aves e Habitats.

Consciente destes valores patrimoniais e das potencialidades emergentes do território, o Município tem procurado com a sua atividade de planeamento e gestão, orientar o desenvolvimento de funções especializadas e novos usos, integrando a frente ribeirinha e o espaço rural na requalificação da vida metropolitana, valorizando a sua estrutura ecológica, assegurando o necessário equilíbrio e complementaridade com os valores ambientais, em especial, as áreas classificadas.

Considerada uma das principais causas de perda de biodiversidade a introdução de espécies não-indígenas ou exóticas é responsável por consequências a nível ambiental, socioeconómico e de saúde pública. Estes impactos podem representar elevadas perdas em termos dos ecossistemas, mas podem também motivar um aproveitamento económico significativo para as populações locais.

No encontro foram abordados os interesses do ponto de vista da conservação da natureza e também da sustentabilidade socioeconómica das populações, que dependem da exploração dos recursos aquáticos.

Reconhecidamente de índole científica o 1.º Encontro sobre Espécies Exóticas Aquáticas no Tejo abordou de forma bastante abrangente as subjacentes implicações económicas e sociais relacionadas com a exploração destes recursos aquáticos envolvendo além da comunidade científica, instituições estatais e não estatais, autarquias, associações ambientais e população em geral.

 

A PROBLEMÁTICA EM TORNO DAS ESPÉCIES EXÓTICAS AQUÁTICAS NO TEJO

A existência de espécies exóticas aquáticas constitui atualmente uma grande preocupação para todas as autarquias limítrofes à bacia hidrográfica do Tejo, desde a fronteira com Espanha até à confluência com o oceano Atlântico, e é considerada uma das principais causas de perda de biodiversidade e responsável por outras consequências a nível ambiental, socioeconómico e de saúde pública.

Pela sua dimensão e elevado nível de ocupação humano e pelo caráter internacional, a bacia hidrográfica do rio Tejo é o sistema aquático português onde se regista o maior número de espécies exóticas, facto que motivou a realização do 1.º Encontro sobre espécies exóticas aquáticas no Tejo, numa organização do Centro de Ciências do Mar e Ambiente (MARE) em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e com a Câmara Municipal de Alcochete.

Os estudos já realizados sobre as espécies exóticas aquáticas na bacia do Tejo são o resultado de trabalhos pontuais e muito localizados em áreas ou espécies em particular, não existindo até agora uma perspetiva global da problemática da introdução de espécies na bacia hidrográfica.

Neste sentido, o 1º Encontro sobre Espécies Exóticas Aquáticas no Tejo constitui a primeira abordagem integrada de toda a bacia hidrográfica do Tejo, focando as espécies introduzidas nos rios, estuário e zona costeira adjacente e incluindo os vários grupos de organismos, como plantas, algas, peixes e invertebrados, que resulta de uma co-organização do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e Câmara Municipal de Alcochete.

Na perspetiva do Município de Alcochete esta cooperação com o entre o MARE e o ICNF constitui mais um momento de afirmação e valorização do concelho, num modelo territorial preconizado estrategicamente para Alcochete (quer no PROT AMLx, quer no Plano Estratégico Concelhio), de um território com potencialidades e especificidades diferenciadas, de valência turística e ambiental, funcionalmente integrado no Arco Ribeirinho Sul e no Arco Natural do Tejo, com uma enorme vocação para a instalação de atividades de investigação e desenvolvimento ligados ao meio estuarino e aos seus recursos naturais.

Neste 1.º Encontro sobre Espécies Exóticas Aquáticas no Tejo foi apresentado o trabalho desenvolvido pelos investigadores do MARE sobre as espécies exóticas: quais são? Como chegaram até cá? Quais os seus impactos e quais as medidas de prevenção que podem ser adotadas?

Para o diretor do MARE, Henrique Cabral, “esta abordagem de bacia hidrográfica é particularmente importante, e é única no contexto nacional”, e acredita que esta será uma primeira iniciativa entre outras, pela importância da temática, e necessidade da definição de estratégias e das ações de proteção das comunidades autóctones e de mitigação dos impactos de outras comunidades invasoras ou não indígenas.

Uma das grandes impulsionadoras do encontro, a Dra. Paula Chainho, defende que: “a introdução de espécies exóticas é uma das principais causas de perda de biodiversidade” e que por isso “este é um assunto preocupante e no centro de investigação [MARE] cada um de nós já trabalhava com algumas das espécies não indígenas ou exóticas que existem no Tejo, o Filipe Ribeiro, com os peixes de água doce, o Pedro Anastácio, com os crustáceos em água doce e em estuário e eu com as espécies estuarinas e marinhas”.

 

Paralelamente ao encontro esteve patente no fórum cultural de Alcochete até ao dia 15 de abril a exposição “Invasão Exótica: o Tejo sob ameaça” com visitas orientadas mediante inscrição.

A exposição surgiu do empenho das entidades envolvidas, que quiseram partilhar o conhecimento científico existente, através de conteúdos informativos e pedagógicos de forma a contribuir e elevar a consciencialização e reflexão sobre o importante património do rio Tejo e das ameaças a que o mesmo está sujeito.

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